segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O DOSSIÊ


Ato Único

Cenário – Sala Presidencial do Palácio do Planalto.

Personagens – Presidente Lula, Assessor da Presidência, Senhor Garcia, Senhor Genro.

Cena Um – O Pano sobe, mostra o Presidente sentado em sua mesa, o senhor Garcia e o senhor Genro estão em duas poltronas, o assessor abre a porta de supetão e começa o espetáculo.

Lula (com raiva) – Foi você que recebeu a encomenda?


Assessor – Sim Senhor Presidente.

Lula (Irônico) – Meu “Fio”. Como eu posso ter certeza de que você não tem nada a ver com essa história?

Assessor (nervoso) – Eu não senhor. Já disse o que aconteceu. Eu sempre fui fiel ao Partido. Sempre participei de todos os congressos e sempre votei de acordo com o Campo.

Garcia (Intimidador) – O meu Querido! Você quer fazer uma visitinha lá na floresta amazônica com as FARC´s? Quer? Então desembucha!

Tarso – Calma Garcia. Calma. Eu conheço o menino. Ele simplesmente foi o canal do acontecimento. Eles conseguiram nos pegar de calças arriadas! Isto não tem precedentes! Não têm precedentes!

(Garcia levanta e começa a falar em espanhol ao celular)

Lula (desolado) – Pois é. Já conseguimos escapar de várias! Sejam as falcatruas do Mensalão. Sejam as picaretagens dos cartões coorporativos ou as mentiras do outro dossiê ou do dossiê do dossiê, do PAC, do caso de Santo André, do caso Oi, do correio, o apagão aéreo... 

(Tarso o interrompe bruscamente.)

Tarso – Pois é conseguimos, porque sempre houve precedentes, sempre alguém fez alguma coisa parecida no passado. Mas este, eu não sei como resolver. Esse é surreal!

Garcia – Pronto! Já temos o apoio das Farc e do Fidel. Qualquer coisa que precisemos eles estarão prontos a ajudar. Uma fuga rápida, um entrevero em algum lugar pra desviar a atenção. O que for.

Assessor – Talvez se fizéssemos o que eles querem. Politicamente seria o mais prudente.

Lula (visivelmente abalado) – O que eles querem?

Assessor – Querem uma reforma ministerial com os principais cargos a disposição deles. Querem a presidência do Senado e da Câmara, e querem a cabeça de algum cacique do Partido.

Tarso – Acho que isto é pior que exílio.

Garcia – Vou convocar uma reunião de emergência do FSP.

Tarso (bravo) – Deixe de botar fogo na fogueira! Precisamos pensar!

Garcia – Mas Puta que Paril! Porque a Dilma não sossega? Eu avisei ao Dirceu que ela ia dar problemas. Na revolução ela já dava... (Todos param para pensar no que o Garcia acabava de dizer.)

Lula – O Garcia. Cê tem que entender que ela é mais macho do que nós aqui juntos e alguém tinha que assumir o governo depois das presepadas do Zé. Pior do que ele, porque ela acha que pode tudo. Vejam o PAC. A gente não tem cacife pra isso.

Tarso – Mais macho que eu ela não é. Sou Gaucho tchê!

Garcia – Sei. Quer que eu te lembre o congresso do Partido há uns vinte anos atrás?

Tarso – Não sei. Não me lembro e nego tudo.

(Garcia e sua risada irônica. Se serve de Whisky.)

Lula – O que é que a minha mulher vai falar desse escândalo? Já me safei de uma. Outra dessas a patroa não vai perdoar. Já pensou no que o tal do Diego vai escrever quando souber disso? Já imaginou nas besteiras que o senador Salgado e a Ideli vão falar na 
tentativa de me defender? Vai ser um ventilador de merda para todo lado.

Tarso (pergunta ao Assessor) – Só tem uma foto?

Assessor – Não senhor, são várias fotos de vários ângulos e um vídeo.

Garcia – Tamo fu...Não dá pra dizer que é montagem. Cê convocou a Dilma?

Lula – Não. O Tarso falou pra gente tratar desse assunto a portas fechadas.

Tarso – Ela não vai gostar nada do que vamos decidir, mas ela é a maior culpada disso tudo.

Garcia – Bem agora que a candidatura dela estava pegando, mas pegaria melhor se ela tivesse um marido.

Lula – E porque você não se candidatou? Vocês formam o par perfeito. A Marisa sempre diz isso.

(Garcia entorna o copo de Whisky e se serve de novo.)

Tarso – Pois é, se o Partido tivesse me dado o comando nós estaríamos pelo menos mais tranqüilos.

Garcia – Se fosse você, se fosse o Ananias, se fosse a Marta se fosse qualquer um. Tinha de ter um consenso, mas como se sabe, no Partido o consenso não existe.

Assessor – Então, sem querer interromper, a oposição esta esperando.

Lula (desolado) – Acho que vamos ter de abrir as pernas. Diga pra eles que estamos dispostos a negociar.

Garcia – Bom, já que é assim vou aceitar o convite do Evo para tomar umas Pacenas.

Tarso – Vai pular fora de novo.

Garcia – Chama a Dilma para te ajudar.

Lula – Seria melhor se ela fosse com você tomar as Pacenas.

Garcia – Não, muito obrigado. Já tenho minhas Cholas para desabafar.

Assessor – Posso avisá-los?

Lula – Pode, mas me dá esse envelope aqui.

Tarso – Vou convocar o gabinete de crise do Partido.

O Assessor sai junto com os outros, deixando Lula sozinho. Lentamente tira a foto do envelope. Na parede atrás dele, uma imagem vai se formando. A imagem da foto é detrás de um palanque, onde as pessoas estão de costas. Ao centro esta Lula e ao seu lado Dilma com um largo sorriso e sua mão direita pousada na nádega esquerda de Lula, num caloroso aperto. Lula larga a foto e começa a chorar. Cai o pano.


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