quinta-feira, 2 de outubro de 2008

"O APIDEUTA"

Era uma vez um grupo de nordestinos de Cabrobó do Sul beneficiados com os programas sociais do governo Lula. O grupo se uniu e com o dinheiro do governo arrumaram um ônibus para prestar homenagem ao Lula em Brasília, no dia quinze de novembro onde haveria o desfile cívico-militar.
Os Cabroboenses chegaram cedo à avenida do desfile, conseguiram um lugar bem na frente do palanque onde o Presidente Lula ficaria. Eram vinte pessoas e tinham feito até uma faixa com os seguintes dizeres:

PREZIDENTE LULA VOSSE É NOSSO EROI!!!”

Raimundo o chefe dos cabroboenses, comentou:
“Pessoal! A gente precisava fazer alguma coisa pro Lula notar a gente.”
“Mas o quê? Já temos a faixa, ele vai perceber.” Disse Débora.
“Mas não é o suficiente, vamo grita alguma coisa.”
“Então vamo grita: Lindo, Lindo!”
“Não Débora! Como que a gente cabra macho que é vai falar isso? Não pode! Já pensou o que o pessoal lá de casa vai pensar? Tá certo que eu gosto do cabra, mas nem tanto assim.” Argumentou Raimundo.
“Então o que vai ser?”
Vamo pensa pessoal!” Disse Raimundo. E fez-se um arretado “Brain Storm” no grupo.
“Já sei! Outro dia estava vendo lá na televisão do padre, uma tal de tevê Cultura, e tinha um sujeito de óculo e chapéu lá de São Paulo dizendo que o Lula é um ‘apideuta’. Eu achei a palavra demais de bonita.” Falou Osmar.
“Mas que que é ‘apideuta’?” Perguntou Maria. Houve um momentâneo silêncio de Osmar até ele achar uma resposta.
“Bom, nesse dia tinha esse cabra de chapéu e um outro sujeito que falava pelos cotovelos, um tal de Diego, acho. Esse Diego dizia que o Lula não era ‘apideuta’ e que era ignorante mesmo, aí o cabra de chapéu disse que apideuta era mais adequado.”
Eta palavrinha difícil que você arranjou Osmar!” Disse Maria.
“A gente não pode parecer tão ignorantes assim, eu concordo como o compadre Osmar. Vamo usa essa palavra que eu também achei muito bonita.” Defendeu Raimundo.
“E como vai ser o grito?”
“Ah Maria...acho que vai ser ‘Euta, euta, euta Lula apideuta’. É fácil de gritar e até parece uma toada.”
“Então vamos treinar pra quando o Lula aparecer”. Organizou Raimundo.
Os Cabroboenses se concentraram e baixinho repetiram o refrão, depois de dez minutos estavam prontos para a homenagem.
Começou um burburinho no palanque, era Lula e sua comitiva que chegavam. A excitação tomou conta do grupo bem em frente de Lula. Uma chuva de Olha lá! Olha lá! Foi aí que Raimundo tomou as rédeas e mostrou a sua liderança.
“Atenção gente! Vamos se concentra para o grito! Maria fica quieta presta atenção! João! Segura a faixa direito senão cê vai pro ônibus! Atenção gente! É um, é dois é nos três!”
Euta! Euta! Euta! Lula Apideuta!”
Euta! Euta! Euta! Lula Apideuta!”
Euta! Euta! Euta! Lula Apideuta!”
Gritavam a plenos pulmões, balançavam a faixa alegremente, era um grupo coeso muito animado. Os Sem Terra que estavam ao lado olhavam e não entendiam o quê aquele grupo de pessoas simples dizia. Alguns segundos de gritaria foi o suficiente para chamar a atenção das televisões e da comitiva do Lula. O Presidente chamou o CArvalho:
“Carvalho, dá para baixar o cacete?”
“Vou perguntar ao Tarso.”
E perguntou.
“Não. É melhor ficar quieto e pedir para o Lula acenar.” Com um sorriso muito amarelo o Presidente acenou.
“Raimundo Deu certo!!! Ele esta acenando pra gente!”
Vamo lá gente! Vamo grita mais alto!” Comandou Raimundo. Estavam muito excitados, gritavam mais alto. Os Sem Terras perceberam o espírito de alegria e se juntaram ao grupo na manifestação. Junto aos Sem Terra havia alguns estagiários de universidades que tentavam, em vão, dissuadí-los a parar com aquela manifestação.
O Presidente Lula saiu antes do término do evento, pois os cabroboenses conseguiram gritar o desfile inteiro, até um Dragão da Independência quebrou o protocolo, não se conteve e olhou o insólito grupo. Foi um dos dias mais bizarros para os intelectuais do Partido. No dia seguinte, estampado em todos os jornais do país, estava a manifestação cabroboense. O próprio Partido deu a solução para o problema. Pediram a inclusão de uma emenda constitucional do neologismo inventado pelos Cabroboensesapideuta”, cuja definição seria, no jargão dos sertanejos, “cabra porreta”.
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